5 dicas para evitar todos os colapsos no seu voo de parapente.

Atualizado: 6 de abr.

Os colapsos em voo de parapente são totalmente evitáveis, mas é preciso mais que um bom controle do equipamento para escapar deles.

Nesse texto direto, pretendo mostrar 5(cinco)itens para ajudá-lo nessa missão.


Piloto Eurismar Jr - durante seu treinamento SIV( Treinamento de Segurança Sobre a Água).
Piloto Eurismar Jr - durante seu treinamento SIV( Simulação de incidente de voo).

A pilotagem ativa vai evitar a maioria dos colapsos no seu parapente

A pilotagem ativa(dinâmica), de maneira resumida, consiste em manter a pressão do parapente de forma homogênea. O ar turbulento gerado, por uma rajada de vento ou térmica, movimenta o parapente, muitas vezes por apenas uma pequena área, jogando, por exemplo, a direita da asa pra cima e, em consequência, tirando toda a pressão do lado esquerdo. É nesse momento que o piloto deve agir colocando pressão do lado esquerdo, utilizando o freio e/ou o corpo, para manter a pressão e evitar o colapso.


Você pode treinar isso de duas maneiras:

- uma, com o seu instrutor segurando duas cordas para treino de reflexo e pressão;

- outra, em solo, com o seu parapente na presença de vento moderado.

Continue treinando até possuir o controle total do equipamento. Treino nunca é demais. Mas isso não vai evitar todos os colapsos... Então vamos continuar lendo.


Controle do equipamento não é tudo.

Mesmo tendo total controle do equipamento, não é possível evitar todos os colapsos apenas com essa habilidade, isso porque dependemos da natureza e de suas forças invisíveis para conseguir voar. É preciso conhecimento aerodinâmico e das forças da natureza para evitar pairar em lugares e condições inadequadas ao voo. Mesmo o melhor piloto do mundo não vai conseguir evitar um colapso em uma zona protegida pelo vento ou em zonas de forte cisalhamento. Por isso é fundamental o planejamento do voo e o conhecimento em detalhes do local onde se planeja voar.

A melhor forma de conseguir isso, fora do seu espaço habitual, é conversando sobre o seu plano de voo com o piloto experiente do local e estudando a previsão do tempo, a fim de aproveitar só o bom momento do dia. Caso existam indicadores de que as condições meteorológicas podem se intensificar, pouse antes de se meter em condições perigosas...

Se você está voando em um dia de condição forte é fundamental ter experiencia nesse tipo de voo. Pois nessas condição para evitar colapsos só a pilotagem ativa não é suficiente é preciso se posicionamento corretamente nas zonas de menor turbulência, seja na decolagem, voo ou pouso.


A manutenção do equipamento também evita colapsos

Os parapentes são projetados milimetricamente para sua função de criar sustentabilidade e voar. Tudo é feito sob medida exata para suas faixas de peso e de igual forma são testados das mais diversificadas maneiras para ganhar as suas certificações, A, B, C ou D. Então, por que motivo você acha que vai usar um parapente por anos a fio e ainda pensa que ele vai ter o mesmo desempenho e comportamento de quando era novo?

Um equipamento com muitas horas de uso e sem manutenção terá as suas linhas de sustentação, perfil etc alterados, mesmo que você não seja da turma que gosta de pousar nas árvores( arborizar).

A mudança no projeto do parapente, provocada pela alteração no tamanho das linhas, poderá representar uma pilotagem diferente do normal, facilitando colapsos ou chegando mais rápido ao estol do equipamento. E a situação pode ser ainda pior, caso as linhas do parapente não suportem mais a carga mínima de segurança. Isso fará as linhas se romperem de modo mais fácil durante uma decolagem ou mesmo durante um pequeno colapso, obrigando o piloto a lançar mão instantaneamente do paraquedas de emergência.


A Evolução deve ser lenta, gradativa e medida por diferentes experiências vividas durante os voos realizados.

Quando escrevo evolução lenta, não refiro-me àqueles habituados a voar durante anos com o mesmo parapente ou sempre no mesmo lugar de voo. Isso não é evolução. Evolução lenta significa tão somente não pular etapas. E as etapas devem ser medidas por experiencias/situações experimentadas durante o voo. Não adianta ter 300 horas de voo de final de tarde (térmicas fracas) e de repente decolar no horário térmico mais forte, supondo não levar um colapso. Pode até não levar, mas as estatísticas estão contra esse piloto. Então, se você quer aprender a voar térmica e não levar colapso, para isso, primeiro, deve ter paciência em sempre decolar nos horários mais tardios, quando as térmicas são tão fracas, de modo que, mesmo errando o seu núcleo, a térmica não terá força suficiente para fechar o seu equipamento. Depois, você deve continuar treinando sempre nesse horário, até possuir conhecimento suficiente para discernir, mapear conscientemente, onde a térmica e suas partes se encontram, volteando sempre no seu centro e procurando evitar as bordas. Nesse treino também está inclusa a pilotagem ativa e o equilíbrio da pressão do parapente. Uma vez consciente disso, você pode decolar um pouco mais cedo e fazer continuamente seus treinos. Quanto mais fortes forem progressivamente as térmicas, mas rápido, intenso e preciso será o seu comando. Com a evolução gradativa dentro dos horários, você naturalmente corrigirá a pressão do parapente de forma harmônica e evitará se manter ou passar por várias vezes nas zonas de mais turbulência.


É importante saber que nem todos os pilotos fazem esse processo de evolução dentro dos horários e, antes mesmo de terem o controle do equipamento em todas as condições de voo, já trocam o parapente.

É por isso que ainda testemunhamos muitos colapsos em voos térmicos.


Autoconhecimento

Provavelmente a parte mais difícil! julgar se estamos aptos a voar em determinadas condições e equipamentos. Às vezes, o piloto até possui consciência da sua incapacitação para voar com certo modelo de equipamento ou determinada condição meteorológica, porém vai insistir em voar de qualquer maneira.

Isso acontece por diversos motivos. Um deles é achar que voar em um equipamento de mais performance vai mostrar para os demais que ele é melhor piloto, mais habilidoso, ou vai conseguir ir mais longe, mesmo não sabendo lucidamente o que esta fazendo. É isso o que realmente se costuma presenciar o tempo todo. Quase sempre quem voa em um equipamento de letra mais alta é visto pelos outros como sendo um piloto melhor tecnicamente, ainda mais se ele realiza voos mais longos (embora tente/decole muito mais vezes que a maioria). Porém, o que de fato acontece é que esse tipo de piloto está sob um risco muito acima dos demais, passando por muitos imprevistos, mais perigos, grande número de sustos, em grande parte das vezes sendo obrigando a pousar em horário térmico forte, devido à sua imperícia de se manter mais tempo em voo, fator cujo efeito muitas vezes resulta em acidentes ou na desistência do esporte, momentânea ou definitivamente.

Busque forças, consciência e maturidade na sua capacidade, para evitar ser um desses pilotos.

Avalie suas limitações e voe com total consciência, determinação e alegria.



Se você aplicar todas as dicas desse texto evitará 100% dos colapsos, porém não somos perfeitos e em algum momento vamos falhar.

É preciso estar treinado para entender que um colapso não é o fim do mundo. Se o piloto tem uma boa pilotagem ativa, mesmo com a vela colapsada ele conseguirá manter o voo e o parapente irá abrir tão rápido quanto fechou.




Por, Eurismar Junior

Fundador do Quixadá Aventura, maior empresa de assistência ao voo livre na modalidade Cross Country do Brasil

Instrutor de voo livre





Leia meu artigo sobre o piloto de vela B que voou 385km.




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