Serena Ronchi voou 6.575,17km de vela B em 3 meses da temporada seca do Sertão em 2020.

Atualizado: Jan 23

Ela foi a pilota que voou mais tempo e distância no sertão na última temporada. Com apenas 2 anos de voo e uma vela B fez alguns cross acima de 300km. Confira algumas perguntas que fizemos a ela, sobre sua experiência no Sertão.


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Serena Ronchi na decolagem de Assu - RN. Foto: Eurismar Jr

Serena tem 27 anos de idade e mora na Suíça. Sempre muito simpática ela aprendeu rapidamente a língua portuguesa para facilitar a sua comunicação no Brasil, principalmente com os moradores locais que lhe recebia com muita alegria após o pouso.


Fizemos algumas perguntas a ela sobre a sua experiência nesta temporada.


Quando iniciou no voo livre?

2018


O que lhe despertou para vir ao Brasil?

Grandes distâncias que você pode voar com um parapente


Serena, antes da decolagem rebocada em Assu - RN (Todo mundo quer segurar a vela dela) Foto: Quixadá Aventura

Suas maiores dificuldades ao iniciar o voo no Sertão?

O desconhecido, é estressante para mim voar em novas regiões. Além disso, ouvi dizer que muitas vezes soprava vento forte e eu tinha medo disso.

O que também foi difícil foi enroscar as térmicas com o vento da manha. Eu não queria pousar, então rodei bem apertado assim que ouvia um bip do meu vário com medo de perder a térmica. Foi assistindo a vídeos da minha Gopro que eu percebi que não estava procurando o centro da térmica logo no início.

Depois havia também a dificuldade de não estar acostumado a voar no "flat" (plano). É mais fácil encontrar térmicas nas montanhas. Fiz muitos pregos e quase nunca entendi porque estava no chão. Era muito difícil para a mente entender.


O inicio do cross após se desconectar do reboque. Foto: Serena

As maiores facilidades no Sertão?

O contato com as pessoas. As pessoas são tão abertas aqui e sempre querem ajudar. Aprendi a falar português porque as pessoas eram tão legais comigo que eu queria entendê-las. Muitas vezes me ofereceram para comer, beber, tomar banho, descansar em uma rede ou sentar em algum lugar. A comunidade aqui tem um grande coração.


As 5 coisas que todo piloto que vem voar no Sertão deveria saber?

1ª O vento pode ser muito forte. Para decolar com segurança, tem que saber controlar perfeitamente bem sua vela.

2ª As térmicas são generosas. Às vezes, elas podem ser turbulentas. Se vier durante a alta temporada, deve ter alguma experiência em voo térmico.

3ª É difícil ir para crosscountry muito cedo se não estiver acostumado. Os ciclos são muito curtos no início da manhã e as térmicas difíceis de encontrar.

4ª Estabeleça pequenos objetivos e esteja pronto para se colocar no chão sem entender por quê. Pode ser muito frustrante. Mas, à força de tentar, um dia você vai chegar lá.

5ª Há todos os dias um potencial para crosscountry durante a alta temporada.


Serena sendo resgatada após bater seu recorde pessoal. Foto: Arthur

Ao final da temporada o que você evoluiu no perfil de piloto?

Aprendi muito sobre como ler nuvens e observar coisas que mostram térmicas (gatilhos, pássaros, poeira, fumaça). Eu centralizo melhor as térmicas e consigo passar muito tempo observando os elementos externos. Ganhei muita autoconfiança decolando e voando em um vento forte. E até demais. Tive um acidente em um de meus últimos voos. Fiquei sozinha em Quixadá e decolei com muito vento. Voei de ré apesar do acelerador e tive um colapso que não consegui controlar. Felizmente, não tive nada sério, apenas danos musculares. Este acidente deveu-se a um excesso de confiança que aos poucos fui adquirindo após todas as minhas decolagens ventiladas em Quixadá, uma péssima análise das condições e mau controle da asa.

Observação Quixadá Aventura: Serena voou com assistência completa enquanto estava em Assu-RN em Quixadá contratou apenas um motorista. Quixadá Aventura sempre que esta na rampa, independente de ser contratado ou não, ajuda a todos os pilotos a decolarem com segurança, porem no dia do acidente dela não havia ninguém na rampa, exceto ela e seu motorista, o que não é recomendável. Em Quixadá é fundamental ter um piloto experiente no topo da rampa para informar o momento seguro de decolar (caso ele exista).


Serena em Quixadá. Esta foi sua primeira decolagem em uma vela C, pois a sua vela B já estava com baixa resistência. Foto: Eurismar Jr

Você tem pretensão de bater o recorde do mundo?

Este é um dos meus sonhos. Há um longo caminho a percorrer e será muito, muito difícil. É preciso começar o cross-country muito cedo, e o risco de fazer um prego é grande. E tem que voar muito rápido. Eu apenas comecei a voar com uma asa EN-C. As velas de competição me assustam, espero um dia ter vontade de voar com elas em confiança.


Serena chegando ao Piauí no mês de dezembro (inicio do período de chuvas). Foto: Serena

Considerações finais

O sertão é o paraíso do vôo livre. Só posso recomendar voar aqui. Pode ser muito frustrante quando você não entende por que está pousando, mas quando você consegue voar até o pôr do sol é uma sensação de felicidade indescritível. As condições de vôo são incríveis. Acho que todos os dias existe a possibilidade de voar pelo menos 200km durante a temporada alta.



Serena doou sua vela B para os pilotos iniciantes no sertão treinarem inflagem, juntamente com outros equipamentos em bom estado para voo (seletes + velas). Foto: Madalena Adventure


Serena continua em Quixadá voando no mês de janeiro, porem pretende voar em Governador Valadares e na Colômbia nos próximos dias. Quem sabe você encontra com ela na sua rampa....


Por, Eurismar Júnior

21/01/2021




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Serena decolando rebocada com o Quixadá Aventura em Assu-RN. Foto: Meira_Fotos



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